AMIGOS DE IRIRI: ENTRE SONHO E AMOR

Amigos são aqueles que nos abraçam e estão sempre por perto, mesmo longe; aqueles que nos erguem quando preciso, que declara seu amor e demonstra seu carinho. Há amigos de longa data; daqueles que permanecem à vida toda.

Escolhe-se amigos com o coração e Iriri foi elegido por muitos, os quais os reconhecemos pelas expressões de carinho, amor e zelo. Há muitos amigos de Iriri de longa data; outros recentes. Amigos que não se desgrudam e outros, ainda que distantes, mantém-se por perto.

Há amigos de Iriri que nasceram em seu seio, dentre esses, membros das famílias Alpoim, Cardoso e Pereira dos Santos (Garcia); uns vieram ao mundo pelas mãos de Germana Bahia e Anália Duarte.

Entre os anos de 1940 e 1950 um grupo de pessoas elegeu, com o coração, o balneário de Iriri como amigo. Em 1953 essa amizade se oficializou com a criação da “Associação Amigos de Iriri”, composto por Manoel de Paula Serrão (Duca Serrão), Eugênio de Souza Paixão, Coronel Francisco Alves de Athayde, Jairo da Rocha Pimentel, Lourival Serrão, Nildo Mancini, José Resende, Manoel Miranda, Gualter Azevedo e Danilo Monteiro de Castro. Contudo, os amigos de Iriri não se resumiam a esses nomes. Muitas famílias buscaram contribuir com o desenvolvimento do balneário, tais como os Domingues, Pires, Cordeiro, Rodrigues e Braga, que embora não residindo fixamente em Iriri, envolviam-se, por exemplo, com as festas da pequena Igreja Católica para o levantamento de fundos para sua ampliação. Citamos o caso da família Domingues que oferecia, na década de 1960, alojamento à professoras que vinham de Cachoeiro de Itapemirim para que as crianças se alfabetizassem, assim como espaço para o preparo da merenda escolar. Norberta Garcia Freire também abrigou professoras nesse período. A Família Serrão realizou doações de diversos terrenos para construções de espaços e obras públicas, tal como o terreno onde se construiu a escola municipal. Altino Alpoim foi o doador do terreno onde se ergueu a Igreja Católica.

Guido Brunini, outro amigo de Iriri, eternizou sua paixão em dezenas de fotografias, usadas para propagandear o balneário entre cariocas, mineiros e capixabas. Diógenes de Paulo assumiu a responsabilidade de projetar as ruas de Iriri, criando a avenida Dom Helvécio, que por muitos outros amigos foi amplamente arborizada com castanheiras e flamboyants. O amigo Fausto Bissolati Santana plantou muitas das castanheiras na Praia da Criminosa (antiga Praia das Castanheiras, atual Praia da Costa Azul), cuidando para que se tornassem as sombras que hoje abrigam banhistas. Outros que plantaram mudas de árvores nas terras de Iriri foram Duca Serrão e Germana Bahia. Por isso, entendemos a crise gerada quando a Prefeitura optou por retirar as árvores da Avenida Dom Helvécio, em 2012, afim de reurbanizá-la.

Ainda nos anos de 1960 fundou-se o grupo “Sociedade Pró-melhoramento do Balneário de Iriri”, que lutando por melhorias urbanas, conseguiu recursos para a instalação de água e saneamento básico em Iriri.

Novos amigos chegaram a partir dos anos de 1970, agregando-se aos já granjeados. Unidos transformaram Iriri no que é hoje, mantendo-o admirado. Os esforços atuais dos amigos de Iriri, que se manifestam publicamente em ações coletivas benéficas, tais como os festivais culinários, são expressões da relação de amizade. Como dito, amigos são aqueles que abraçam e estão sempre por perto, mesmo que longe; aqueles que estão com as mãos estendidas sempre que preciso, que tendo oportunidade declaram seu amor. Também, há aqueles que contam suas histórias, registrando em papeis a paixão latente, na esperança de que um “mundo e meio” veja como és belo, bom e agradável. “Iriri tu és um sonho; Iriri tu és amor…” assim já compunha um dos seus amigos, Elpídio Barbosa, nos idos de 1960.

Por Cristiano Bodart, professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ex-residente de Iriri (1990-2002) e autor do livro “Iriri: a construção de um balneário” (2016).

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