A solidariedade que acolhe imigrantes brasileiros no exterior durante o confinamento

A pandemia de Coronavírus colocou o mundo diante de um cenário dramático de mortes e muito sofrimento. A doença também trouxe recessão, desemprego, fome e aumento da miséria em vários países. A crise sanitária e econômica afetou a vida de muitos brasileiros que vivem no exterior, em especial os imigrantes ilegais, ou indocumentados. Por estarem em situação irregular, não receberam ajuda governamental e muitos tiveram de se esconder por medo de serem deportados.

Escolhi como tema deste artigo destacar o trabalho solidário e de acolhimento que muitos brasileiros que vivem no exterior estão fazendo por seus compatriotas durante a pandemia.

Um deles é o digital influencer e repórter do FBTV, Miguel Lira que, assim como eu, mora na Bélgica. Nordestino, de Recife, Miguel tem feito a diferença na vida de muitos imigrantes. Engajado em trabalhos sociais há mais de dez anos, com o isolamento social ele multiplicou suas ações. Nessa fase difícil do confinamento, criou a Rede da Solidariedade, e com a ajuda de parceiros, socorre as famílias carentes e em situação de vulnerabilidade. Além das cestas básicas, dá assistência com medicamentos, serviço consular e cadastro de pessoas para o retorno voluntário ao Brasil.   

Miguel conta que, desde o início da campanha em 19 de março, conseguiu atender mais de 2.200 pessoas através de cadastro de atendimento online através das redes sociais e pelo WhatsApp, sendo que em relação as famílias, o número é muito maior, uma vez que na mesma casa ou apartamento há de 4 e 8 pessoas. A maioria é indocumentado, sem trabalho e com dívidas de aluguel e contas atrasadas.

Eu sou uma das voluntárias que ajudam o projeto de Miguel, juntamente com a amiga Célia Brito. Eu e Célia também participamos de uma campanha para doação de máscaras de proteção contra o coronavírus.

Na Suíça, os imigrantes brasileiros contam com a mão amiga da advogada Fernanda Pontes, criadora do projeto Saber Direito, que leva ajuda jurídica gratuita para a comunidade da língua portuguesa residente naquele país. Na pandemia, a procura por orientação aumentou. Fernanda diz que os brasileiros em situação de vulnerabilidade, indocumentados, que não puderam ser ajudados de forma oficial pelo governo suíço, também têm recebido ajuda da Cebrac, que é uma associação sem fins lucrativos.

E nos Estados Unidos, a advogada Gisele Ambrósio doa seu tempo para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica. Além do empenho pessoal na causa, ela faz parte de um coletivo chamado Samba que discute a violência doméstica durante a pandemia. Gisele dá aconselhamento jurídico para esses grupos de mulheres. Ela também oferece um serviço de clínica jurídica e psicológica de ajuda gratuita a brasileiros nos EUA. A advogada cita ainda que muitos brasileiros se juntaram para doar cestas básicas para quem passa necessidade. 

Mesmo diante de uma situação trágica para humanidade, as pessoas têm dado exemplo de amor e solidariedade. Há sempre um olhar atento para a caridade e uma mão estendida às necessidades do próximo.

Sobre os decretos proibindo os eventos

Concordamos com as autoridades europeias que, neste momento, e por muito tempo ainda, a fome e o desemprego serão os maiores problemas do mundo e, portanto, os eventos, sejam eles quais forem, são totalmente inadequados em 2020 e em parte do ano vindouro. Todos estão de acordo que questões mais urgentes merecem maior atenção, dedicação e investimento por parte de qualquer governo.

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