Ironia: Nito temia ser assassinado na fazenda

Um crime esclarecido e com interrogações. Nito temia morrer na fazenda, que teria sido vendida, mas não foi, o suposto dono queria que ele saísse de lá, acabou assassinado na cidade

 

O assassinato covarde do vaqueiro Anilton Nascimento Aranha, mais conhecido como Nito, com um tiro no peito, domingo, 07, na Praia da Maria Neném abre um leque de interrogações ainda não explicadas.

O delegado David Santana já autuou um dos suspeitos pelo crime e o prendeu, Bruno Luis Flávio, o Bruninho, 18 anos. No entanto, há suspeitas de que Bruno tenha emprestado a arma e o assassino seja um menor, que teve problemas com o irmão de Nito. Afinal de contas: Nito foi morto por vingança no lugar do irmão Valci Aranha, a morte foi encomendada ou erraram o alvo. Há quem diga que o crime foi planejado e um menor usado para cometer o assassinato.

A reportagem apurou que Nito estava com medo de ficar na fazenda Vale da Esperança, em Tataíba, interior de Iconha. Ironia ou não, ele acabou morto na cidade. Há algumas versões para o crime. Uma delas que o assassino encostou a arma no peito e apertou o gatilho, outra, é que estava escondido, atirou e saiu correndo no escuro. Uma testemunha que estava com Nito na hora do fato contou que o vaqueiro estava com a mão no ombro dele, quando ele ouviu um estalo, Nito teria levado a mão peito e caído morto no chão. Essa testemunha disse que não viu o assassino, estava escuro.

Uma sobrinha de Nito disse pra algumas pessoas que a vingança era pro irmão dele, que tinha dado umas ripadas em um menor na casa do adolescente, algumas semanas antes. Este menor teria feito um estrago no carro de Valci, irmão de Nito, motivo para ter levado uma coça e razão para ter ido antes à casa de Valci e disparado uns tiros.

 

A suposta venda da Fazenda e as ameaças

 

Para entender melhor este assunto, a Reportagem procurou o fazendeiro Dulcino Monteiro de Castro, filho do Drº Dulcino Monteiro de Castro, prefeito de Cachoeiro de Itapemirim/ES, em 1947-1950, quem tema curatela da irmã Jussara para administrar a Fazenda Vale da Esperança.

A irmã de Dulcino sofre de uma síndrome, que ele chama de pródiga. Gasta mais do que recebe. O pai de Dulcino pediu que ele cuidasse das coisas, da irmã ainda com vida, fez o inventário e a fazenda ficou para ela, bem como um apartamento em Copacabana.  Hoje ela tem 78 anos, estaria sendo vítima de uma quadrilha, formada por uma mulher e advogados. Essa quadrilha tentou vender a Fazenda sem que Dulcino soubesse e estava ameaçando Nito para que ele deixasse a propriedade.

Completamente sem chão com o assassinato de Nito, que trabalhava na fazenda há 17 anos, Dulcino afirma que o crime pode ser ironia do destino, uma vez que Nito estava sendo ameaçado a deixar a fazenda e acabou sendo morto na cidade.  “Nito conhecia tudo, foi pra lá com quatro filhos, eu fazia parceria com ele, tenho contrato com ele de meeiro, fora os outros de boca, agora vamos nos reorganizar. Nito estava sendo ameaçado para sair de lá”, disse Dulcino.

Monteiro de Castro revelou que a irmã dele está na mão de um pessoal. “Tem um processo no Fórum que tentaram tirar a minha curatela. Uns advogados deram para minha um telefone desses restritos e eu não tenho condições de falar com ela, ela liga só quando quer, ou seja, ela está praticamente em cárcere privado com essas pessoas. Houve uma falsa venda da fazenda, de boca. A fazenda teria sido vendida para um tal de Roberto e estavam pressionando Nito para sair de lá, do final do ano passado para esse ano”, narrou.

Roberto, segundo Dulcino ligou para Nito já querendo apressar a saída dele falando que ele tinha um mês para deixar a fazenda. “Eu pedi o telefone a Nito e me apresentei. Ele foi muito seco. Perguntei educadamente, se minha irmã tinha vendido a fazenda a prazo ou a vista e, ele me disse, não lhe diz respeito. Respondi: então faz o seguinte, ela tem como te devolver esse dinheiro, porque ele não vai ficar com ela! Você é um laranja dos advogados”, frisou Dulcino.

Jussara Monteiro de Castro é vítima de uma quadrilha que tentou vender a fazenda dela, segundo afirma Dulcino. Além disso, ela tinha precatórios para receber e estes desapareceram, o dinheiro não entrou na conta dela. “Todos os precatórias que ela teria que receber, que foram descontados já estava zerado, com certeza ela não colocou a mão neste dinheiro, tenho informação de lá das pessoas do prédio onde ela mora no Rio. Arranjaram esses laranjas de Alfredo Chaves, dois moradores e esse tal de Dr. Roberto, que teria comprado a fazenda, e que ligou para o Nito sair, eles estavam meio aterrorizados, eu que garanti que a família de Nito não era coisas para serem colocados para fora, foram criados aqui na fazenda, conheço ele e a esposa Jussicléia, desde garotinha, que eu duvidava desta fazenda e depois eu confirmei que não houve a venda…”

 

 

“A pessoa foi para matar Nito, estava escuro”

“Eu sei que se a pessoa foi para matar, escolheu o lugar, um local escuro com toda intenção e se aproximou e deu um tiro a queima roupa”…

 

O fazendeiro Dulcino Monteiro de Castro, quem administra a Fazenda da Vale da Esperança, em Tataíba, que é de propriedade da irmã dele, Jussara Monteiro de Castro afirma há uma quadrilha que está roubando a irmã, Anilton Aranha, o Nito tomava conta desta fazenda há anos.

De acordo com Dulcino, há uma mulher no meio de uma suposta quadrilha que arquitetou a venda da fazenda (a que Nito tomava conta) usando o nome da irmã dele (Jussara). Esta mulher chegou a ligar para CarRural – Cadastro Ambiental Rural da Fazenda, e o atendente do Car, disse que não poderia passar os dados, pois quem pagava pelo serviço era Dulcino e o mesmo responsável pela propriedade. “Ela disse que tinha comprado a fazenda, queriam até dar um dinheiro para o rapaz, ou seja, uma quadrilha, se organizando e deixaram o Nito e a esposa com medo, eu garanti a família de Nito que não precisavam ficar com medo, consegui um termo na justiça, enquanto minha irmã não fosse periciada aqui em Piúma, a fazenda estaria bloqueada para qualquer venda”.

A fazenda Vale da Esperança Dulcino continua administrando, mas o gado dele ele tirou de lá, e precisa fazer alguma atividade econômica, caso contrário não consegue manter os custos, precisa pagar empregados. “Nito estava com medo da pressão, ficaram apressando ele para sair da fazenda, sem venda nenhuma. Eu o garanti, eu ainda vou ganhar essa causa, a justiça vai ser feita, a minha irmã é uma grande vítima dessa história toda, e a fazenda vai voltar pra gente, eu cheguei a falar com esse tal de Dr. Roberto, que ele não ia botar ninguém pra fora e ele me respondeu, você procura a sua justiça, que eu vou procurar a minha e depois confirmei que estava tudo certo, fiz um Boletim de Ocorrência, consegui com minha advogada lá, e depois eu falei com o Nito, qualquer um que te ligar você diz que só conversa na minha presença, de meu advogado, da minha irmã e o advogado dela dentro do fórum e sob as vistas do juiz, ele com medo dessa situação, ironia, veio morrer aqui de uma maneira até hoje misteriosa, uns dizem que morreu por engano, foi morto no escuro, uma morte planejada, foi seguido até um lugar escuro, não sei”.

Segundo Dulcino, dizem que o irmão de Nito é muito parecido com ele. “Se foi esse o motivo, ao que me consta, dizem que o irmão não estava no bar, e depois foi tanta correria, até no enterro, ninguém sabia onde era, eu fui ao cemitério errado”.

Enquanto a irmã de Dulcino, a verdadeira dona da fazenda não passar por outra perícia na justiça ele continua administrando. “Ela é idosa e eu também, sou eu que tenho que apressar isso para dar uma definição, estou há um ano com a fazenda parada, sem renda, nada, só tendo despesas e minha irmã sendo esfoliada desse jeito, uma coisa que foi um pedido do meu pai, que eu tenho que honrar, ela é o sangue do meu sangue, eu sou o único parente que ela tem”.

A grande ironia foi Nito com medo de alguma coisa acontecer com ele na Fazenda, apesar de Dulcino garantir que estava tudo certo foi assassinado na cidade, por um equívoco ou não, só uma investigação vai dizer. “Eu sei que se a pessoa foi para matar, escolheu o lugar certo, um local escuro com toda intenção e se aproximou e deu um tiro a queima roupa, encostou a arma no peito e apertou o gatilho, ele não deu um suspiro, ouviram um tec, acharam que era uma bombinha de São João, mas foi um tiro de espingarda de chumbo, e aí viram ele caído não tiveram cabeça pra nada, dizem que ficou a marca de pólvora e não saiu sangue, essas foram as informações que eu tive e depois veio a polícia”.

 

 

 

 

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