Dom Helvécio, o primeiro dono de Iriri

Em 22 de novembro de 1922 foi empossado na Arquidiocese de Mariana, onde atuou por 38 anos

Da redação:  Texto baseado na obra: “Iriri, a construção de um Balneário” – Cristiano Bodart

A Avenida Dom Helvécio que corta o Balneário de Iriri recebe este nome porque, no início do séc. XX as terras lá, (antes chamadas de Inhaúma) pertenciam ao Arcebispo e Coronel Dom Helvécio Gomes de Oliveira da Congregação Salesiana. A história dele dá um capítulo à parte.

Dom Helvécio Gomes de Oliveira nasceu em 1876, em Anchieta/ES. Havia perdido seu pai ainda criança. A família Oliveira era proprietária de terras em Anchieta, onde nasceu e as condições financeiras possibilitou que ele saísse de Anchieta para estudar, inclusive em Roma na Itália. 

Em 1888, aos 12 anos foi estudar junto com seu irmão Manoel, no colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói/RJ.  Seis anos depois, na Itália, onde ficou até 1897, recebeu das mãos do superior geral, Dom Miguel Rua, as vestes clericais da Sociedade de São Francisco de Sales. Regressando ao Brasil foi para Mato Grosso, na cidade de Cuiabá, onde foi ordenado Presbítero pelo Bispo Luís Carlos D’Amour, em 09 de julho de 1901.

Em 1903, Dom Helvécio desobedece ordens de Dom Carlos Luiz D’Amour e celebra uma missa sem seu consentimento, essa desobediência motiva uma campanha contrária e o leva, em 1904, a ir para São Paulo/SP, depois passando por Niterói/RJ e Campinas/SP onde foi, em 1918 nomeado Bispo. Nesse mesmo ano retorna para o Mato Grosso, para a cidade de Curumbá. Em Minas Gerais, esteve fortemente ligado ao grupo Belga, tendo inaugurado, em 1944, o Alto-Forno IV da Usina que recebeu seu nome. Em 1954, a convite do Diretor Geral da Belgo, Albert Scharlé, fundou e assumiu o Ginásio da cidade de Monlevade. A partir do ano de 1930 Dom Helvécio Gomes de Oliveira construiu diversas igrejas, escolas e hospitais. O arcebispo foi um dos pioneiros na luta pela preservação do Parque Estadual (mineiro) do Rio Doce (MEMÓRIA BELGO).

Homem poderoso, construiu o prédio onde hoje funciona a Escola Família Agrícola de Olivânia. Outras obras evidenciam sua inclinação para o poder e o desenvolvimento econômico, como acentua nas próprias palavras: “Fundir ferro para a pátria. Levantar igrejas para Cristo. Nem pequena é a glória. Nem menor o labor”.

De acordo com o escritor Cristiano Bodart até o século XIX, a igreja fazia questão de ter posses, mas a partir de então, não era tão interessante para a Igreja e seus sacerdotes possuir terras no Brasil e sim capital. Possivelmente, esse teria sido um dos motivo das vendas das terras que estavam nas mãos de Dom Helvécio em Anchieta, além de sua ida para Mariana/MG. Não se sabe entretanto, como ele as adquiriu. No início do século passado, teria transferido metade das terras de Iriri a Pedro Pereira da Silva para vendê-las, sendo num total de aproximadamente 200 alqueires de Inhaúma, Três Barras.

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