Segundo a PC, Sheila preferiu a morte que ser presa, aplicou um golpe em nome da filha

A campanha não passou de um golpe da mãe que se matou em Itaoca, segundo o delegado da Polícia Civil de Itapemirim. Sheila enganou a todos, a menina nunca esteve doente. Foi um golpe para arrecadar dinheiro. Ela também já inventou um câncer no seio também

A verdade está vindo à tona sobre Sheila Santos Costa Smider, a mãe da menina que estaria com câncer e, criou uma campanha em junho deste ano e arrecadou muito dinheiro para uma suposta cirurgia de retirada de um câncer na cabeça da filha de 7 anos. Sheila não suportou a pressão, se matou com um tiro na testa, segundo o delegado de Itapemirim, Djalma Lemos.

Sheila não prestou contas à sociedade, a ninguém. O delegado disse que Sheila inventou uma cirurgia que nunca houve, simulou uma viagem a Belo Horizonte, mas foi para a casa de um irmão e comemorou o aniversário de menina. Depois que o irmão tomou conhecimento da campanha nas redes sociais, ela mentiu de novo, disse que alguém tinha criado um fake News em nome da criança.

A mãe da criança teria simulado curativos, psicologicamente teria adoecido a filha que, conta a todos que operou a cabeça. A mentira contagiou milhares de pessoas que hoje estão revoltadas. “E agora Sheila? E agora, a gente não sabia de nada. Uma louca, psicopata, golpista, v…”, disse uma pessoa que ajudou.

A mãe da menina que articulou a campanha nas redes sociais e se suicidou sexta, 23, para continuar ludibriando as pessoas enfaixou a cabeça da criança e fez uma postagem mentirosa no instagram usando uma foto de 2011 e enganou milhares de pessoas novamente que até oraram pela criança.

Após a mentira da cirurgia Sheila continuou no golpe pedindo mais dinheiro em prol do pós-cirúrgico. A Polícia Civil – PC ainda não sabe quanto ela arrecadou, será preciso pedir a quebra do sigilo bancário. Haviam quatro contas em aberto recebendo dinheiro e ela continuava alimentando lorota nas redes sociais.

Na casa de Sheila a PC fez busca e apreensão, buscou documentos que pudessem comprovar alguma doença na menina, mas não havia, nem uma receita sequer, segundo Djalma. Entre a cruz e a espada, a mentira foi revelada com um tiro na testa, quando a PC acompanhou Sheila até a sua casa em Itaoca. Ela disse aos policiais que ia ao quarto pegar a caixa de documentos, entrou no banheiro com um revólver e se matou. “A busca na casa dela foi feita na hora que ela se matou. Quando ela veio à delegacia, disse que tinha todos os documentos em casa e podia comprovar que gastou com o tratamento da criança. Ao chegar lá, ela suicidou-se, pediu a filha para se afastar com o policial, mandou a policial que estava junto examinar uma caixa, entrou no banheiro e deu um tiro na testa. Não tinha nada na caixa, só papel, sem nenhuma relação com a criança”, declarou o delegado.

A campanha

A campanha que a mãe da menina de Itaoca inventou comoveu o Sul do Espírito Santo, o país, mas tudo não passou de um golpe estelionatário, segundo o delegado chefe da Delegacia de Itapemirim que trabalha na elucidação desse caso.  Sheila teria aplicado um golpe em milhares de pessoas que abraçaram a campanha. O caso chocou a população e revoltou milhares de pessoas após a descoberta da Polícia.

Pessoas que ajudaram na campanha falaram ao jornal que a ficha está caindo só agora. A fotografia da pulseira no braço da criança que acompanha a poste no Instagram, onde Sheila informa que a menina passava bem após a cirurgia é de 2011, data que a criança provavelmente nasceu.

A História real imita as grandes tramas das 21h00 das novelas, parece surreal. Foram diversas formas de arrecadação, várias rifas: beneficente um bezerro, uma sela (arreio), bandejinhas solidárias que vendiam 10 salgadinhos por R$10.00, venda de docinhos e bolo de pote, campanhas em igrejas, academias, pedágio solidário em escola, bazar solidário, torneios, shows, bingos, cultos, campanhas em igrejas, foram inúmeras formas de arrecadação sem a devida prestação de contas de quanto teria arrecadado e quanto teria gasto.

O apelo

O texto da campanha inicial mexeu com as pessoas, com os grupos e Sheila não conseguiu parar mais, desde o dia que criou a história.

 “Olá me chamo l. e tenho 7 anos, recentemente fui diagnosticada com uma doença que vem atacando milhões de pessoas pelo mundo que é o câncer. Sou uma criança muito alegre e cheia de vontade de viver. Preciso realizar com urgência uma cirurgia na cabeça para a retirada de um tumor, como é um procedimento bem ariscado os médicos não querem realizar a cirurgia pelo método tradicional, pois tem 99% de chances de não resistir, por esse motivo precisa ser realizada a laser. Já conseguimos a doação do hospital e da equipe médica, agora falta o valor do aparelho do laser que está em torno de R$ 80.000,00. Como dito acima, preciso realizar essa cirurgia o mais rápido possível. Seria incrível se você pudesse doar para me ajudar a realizar a cirurgia e continuar a minha história. Qualquer doação é bem-vinda”.

Delegado comprova não haver provas de cirurgia

A Reportagem conversou com o delegado, Djalma Lemos e ele assegurou que foi comprovado que não havia nenhuma prova de intervenção cirúrgica, ou que a criança tivesse algum problema de saúde. “Encontramos aproximadamente R$13 mil reais na casa dela”, disse.

Frisou o delegado que não pode ainda adentrar na questão das contas abertas e se há dinheiro, pois é preciso autorização judicial. “O marido dela não compareceu à delegacia, prometeu que vinha no fim de semana, mas até agora não compareceu e nós vamos atrás dele. Uma situação lamentável. Nós fizemos buscas na casa e não encontramos nada, nem uma receita de tratamento da criança, só história. A explicação do suicídio foi que ela não tinha como provar, preferiu a morte do que a vergonha social de ser autuada. Ela ia ser autuada, eu ia dar voz de prisão a ela, pois ela estava em crime permanente. Haviam contas abertas, não sabemos se haviam depósitos periódicos e se ela estava sacando. Mas ela alegou que estava fazendo filantropia para outros que precisavam”.

O delegado que também foi vítima do golpe de Sheila afirma que existem pessoas que se aproveitam da bondade alheia e para não cair mais em golpes semelhantes é preciso fazer especulação e averiguar se a situação procede. “Tem que averiguar para não cooperar com o crime, tem pessoas que têm coragem de usar artifícios dessa natureza para levar vantagem, infelizmente”, disse Lemos.

Confessou o delegado que a secretária dele chegou da academia fazendo a campanha que o professor encampou com os alunos, inclusive foi ele quem deu o endereço da Sheila a polícia. “O MP só tinha na denúncia o nome de Sheila e da filha. Através do professor da academia que propôs a campanha para doação é que conseguimos chegar a casa dela”, comentou.

Não tinha necessidade

O chefe da PC assegurou que, em tese, Sheila não tinha necessidade do golpe. Ela era casada com um caminhoneiro, tem caminhão próprio, recebia pensão de um americano com quem ela tem uma filha, possui uma loja aberta pela família da avó da criança em Itaipava para dar rendimento para a menina. Ia inaugurar uma cafeteria no sábado em frente à Escola Elvira Meale. “Tecnicamente, ela não tinha necessidade desse golpe. Não foi por necessidade, foi por ganância e aproveitar da boa vontade alheia”, ressaltou Lemos.

A PC vai continuar investigando, ouvindo outros atores, o marido que ainda não compareceu na delegacia para dar explicações e outras pessoas que possam ter ajudado a Sheila na aplicação do golpe.                

Lemos ressaltou que no dia do suicídio Sheila seria desmascarada e teria contas a pagar a sociedade, pois ela tinha dado um golpe baixo, usando a fé das pessoas.

O que dizem os vizinhos

“Ela foi para a casa do irmão dela em Minas comemorar o aniversário da menina, o irmão não sabia de nada. Quando ele viu no face, ela ligou para ele e disse que fizeram um fake falso usando o nome dela. Eles não sabiam, quando ela foi fazer a cirurgia”.

 “A menina acha que passou por uma cirurgia, ela fez a menina acreditar na mentira dela, entrou no psicológico da menina”.

“Pelo que disse uma amiga dela de infância que estava lá no velório, isto já vem desde a infância, ela já começou a conviver com a mentira. Na escola, falava que a mãe dela era morta, isso foi continuando e ela se tornou no que era hoje. Só que eu nunca imaginava que chegaria tanto. Eu sabia que ela tinha problema de depressão”…

“Foi tudo mentira, não teve cirurgia, a menina não tem nada. Foi tudo mentira de Sheila, a mãe da criança. É muito triste. As crianças estão aqui no quintal. Orem pelas crianças. Tudo uma farsa, tudo mentira de Sheila”. Foi tudo coisa da cabeça dela, Sheila estava doente”.

Ajudou a arrecadar

Amanda foi enganada também, ela arrecadou materiais para fazer bolos de pote e docinhos. “Eu ajudei a arrecadar. Fizemos um torneio para ajudar a menina. Como que a gente ia imaginar que uma mãe ia fazer isso. Muita, muita gente ajudou. Eu ajudei, fazer o quê, fiz de coração? É decepcionante. Tomamos um susto quando soubemos da morte dela”.

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