Sem combustível caminhões da coleta estacionam na garagem e lixo toma conta de Piúma

Os funcionários da empresa estão parados no galpão porque o caminhão está sem combustível – Foto/ Allex Ramos

Mau cheiro, bichos, urubus sobrevoam as lixeiras que transbordam pelas ruas de Piúma. A empresa responsável pela coleta está com salários dos funcionários atrasados, sem condições de abastecer, parou o serviço

Bairro Niterói – Rua João Romão

Todas as ruas da cidade de Piúma tem lixo para ser recolhido. Nos bairros onde a coleta é feita três vezes por semana a situação passa dos limites. Em outros como Portinho, Santa Rita e Itaputanga há ruas que a coleta está há 15 sem ser feita.  

Calçada da Creche Vovó Genoveva – há 15 dias – Bairro Itaputanga

Além do mau cheiro que toma conta, bichos e insetos, as sacolas penduradas em cercas, arvores portões, muros, esquinas, e pelo chão, já que os latões transbordaram. Caos total.

Bairro Portinho

A situação piora a cada dia porque a empresa que presta o serviço está em débito com os funcionários, ainda não pagou sequer o salário de outubro, eles reclamam também da falta de condições de efetuar o trabalho sem o uso de alguns Equipamentos de Proteção Individual – EPI, como luvas, por exemplo, e, como se não bastasse o pagamento atrasado, estão com os encargos sociais sem serem depositados como o INSS e o FGTS, segundo informou um motorista da empresa.

Bairro Santa Rita

A Reportagem passou pelo bairro Itaputanga onde o lixo está há mais de 15 dias sem ser recolhido em algumas ruas. Na calçada da Creche Municipal Vovó Genoveva o odor é muito forte, muitas sacolas estão acumuladas. A cena se repete em diversos outros lugares.

Buraco da Coruja – Santa Rita

O secretário interino de Obras, Raniery Miranda foi enfático, disse que só há uma solução com a empresa Limpeza Urbana, rescindir o contrato dela e fazer outra licitação. “A empresa está quebrada, ela está sendo notificada para não participar mais de licitação em Piúma porque descumpriram vários itens do objeto do contrato e nós estamos licitando uma nova empresa. Conversei com os funcionários, eles não estão de greve, eles falaram que estão parados na empresa porque não tem combustível e porque a empresa está atrasada com o pagamento, esta é uma questão dela com os funcionários. O que podemos fazer para minimizar o sofrimento da população é o que temos feito, estamos notificando para ela não participar mais de licitação em Piúma”.

Margens da Rodovia do Sol – Portinho

Até o final do dia, a Prefeitura notifica a empresa para que ela fique um ano sem direito de contratar com o município, a partir daí eles tem cinco dias para apresentar a defesa. “Obviamente vai ser indeferida porque existe subsidio para isto, vários itens de descumprimento do objeto do contrato e a partir desta data, já podemos lançar o edital para licitação”.

Niterói

Operação emergencial

Informou Raniery que estava marcado uma reunião com os encarregados para planejar uma operação emergencial. “Não sei se vou conseguir fazer via prefeitura, talvez sim, preciso de um parecer do jurídico, porque para fazer coleta de lixo tem que ter licença ambiental, mas como é caráter emergencial talvez faremos um paliativo pela prefeitura. Vou ao Ministério Público para alinhar com o assessor do promotor porque a situação está complicada. Talvez eu possa até iniciar hoje, mas tenho de ter uma segurança jurídica com uma boa justificativa”.

O secretário interino afirmou que a empresa está forçando a barra para boicotar a coleta de lixo porque a Prefeitura de Piúma está tomando providências em relação a irresponsabilidade dela para com o cumprimento do contrato. “Hoje eu recebi um áudio de um funcionário me dizendo que ele recebeu um torpedo da Caixa Econômica, depois de dois anos informando que é a primeira vez que cai o pagamento do INSS na conta dele. Nós não vamos pagar a empresa, enquanto ela não apresentar os comprovantes do que é devido aos funcionários. Isto nunca tinha sido feito antes, a empresa está nos boicotando. A prefeitura não poderia ter pago todos estes anos sem exigir dela comprovação dos encargos trabalhistas depositados, por isso que ela está com mais de 50 processos trabalhistas na justiça. Agora o que a Prefeitura repassa é bloqueado pela justiça para pagar estes débitos. Não vamos pagar se a empresa não apresentar os comprovantes de depósito dos direitos trabalhistas dos funcionários”, enfatizou o secretário.

Um funcionário da empresa que pediu anonimato disse que os comprovantes que antes eram apresentados pela empresa para receber o repasse da Prefeitura eram falsificados.

A Reportagem tentou falar com o encarregado da empresa Limpeza Urbana, mas ele não atendeu e nem respondeu as mensagens via WhatsApp.     

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