PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS

Deu Crônica

A “família tradicional brasileira” deu agora para implicar com tudo. Como se já não bastasse sua ojeriza à comunidade LGBT, no momento, resolveu destilar seu veneno às artes em geral, sem ter o mínimo de respeito ao trabalho alheio, ao gosto de cada um, ou melhor ainda, sem ter conhecimento sobre aquilo que está atirando pedras.

Já faço logo um link com a literatura, que é minha paixão, e acho que sei um pouquinho sobre ela depois de tantos anos de estudo e dedicação. Recentemente, o livro de Ana Maria Machado “O menino que espiava pra dentro”, com a primeira edição datada de 1983, foi alvo de calúnias da “família tradicional brasileira”. Pois bem, o menino Lucas, personagem principal da história, gosta de espiar pra dentro, gosta de ir a mundos que não encontramos na vida real. Em um determinado momento, ao comer uma maçã, ele se engasga e viaja para um mundo imaginário.

Um menino, na vida real, quando leu essa parte, foi perguntar à mãe se era verdade que, se ele ficasse engasgado com a maçã, realmente iria dormir durante muito tempo. Nossa! A mãe já foi para as redes sociais alertar todo o matriarcado sobre a obra, dizendo que ela é um estopim para o suicídio. Meu Deus! Qual criança não espia pra dentro? Cria seus próprios mundos? Seus amigos imaginários? Fala sozinha? Engasgar com a maçã é uma metáfora. A Branca de Neve também comeu uma maçã, envenenada, diga-se de passagem, e dormiu por muito tempo, até receber o beijo do príncipe.

Só gostaria de saber, estatisticamente, caro leitor, quantas crianças cometeram suicídio, desde 1983, depois que leram a obra? Nenhuma criança seria a resposta? Acho que estou vivendo num mundo paralelo onde as coisas estão sendo distorcidas de tal forma que acabam provocando o efeito manada ou nos fazendo relembrar o velho ditado “Maria vai com as outras”. Ainda acrescento que sempre tive uma paixão pelos super-heróis, em especial o Super-Homem e o Homem-Aranha, mas nunca tive vontade de experimentar os seus poderes, nunca coloquei uma capa e tentei pular de um prédio para saber se iria voar, também nunca tive a curiosidade de me jogar de um precipício para saber se as teias me salvariam.

O que realmente está faltando é aquela boa conversa dos pais com os filhos em casa, de ler para as crianças na hora de dormir e conversar sobre as histórias que estão lendo, de entender as entrelinhas dos livros. Ressalto também que não somos obrigados a gostar de tudo. Como ainda vivemos num país democrático, podemos escolher o que nos agrada. Não sou muito chegada, por exemplo, às novelas, dificilmente acompanho uma. Se não me interessa, troco o canal, simples assim.

O problema é que Ana Maria Machado agora deve ser repudiada por conta da falta de interpretação que assola o Brasil. Mas o que eu acho graça, “família tradicional brasileira”, é que ficar escondido lendo a trilogia “Cinquenta tons de cinza” pode, ficar no escurinho do cinema para assistir ao filme com o mesmo nome do livro citado pode, orgias com troca de casais pode, assistir a séries na Netflix com conteúdos pra lá de picantes pode. Ou seja, a arte pornô só é permitida se o outro não me vê cometendo esse crime, afinal de contas, a sujeira da “família tradicional brasileira” deve ficar debaixo do tapete.

Enquanto ainda posso, vou depressa acessar uma livraria virtual para comprar logo os livros da Hilda Hilst, principalmente aquele que ela fala sobre o C#. Caso contrário, se o inverno realmente se instalar, não poderei sair com esse livro na mão por aí afora, terei que aprender com a “família tradicional brasileira” como é fazer as coisas por debaixo dos panos.

Fico aqui pensando o que vão fazer com a estátua de Davi, com o pinto de fora, nos livros didáticos. Será que colocarão uma folha de bananeira? Bem à moda brasileira (kkkkk).

 

LI E GOSTEI

Maria e Arthur se encontram em Paris no início de 1968. Ela estuda filosofia na Sorbonne, ele é poeta e artista de rua. Juntos vivem os excessos daqueles anos de revoluções e utopias e fogem da ditadura no Brasil, divididos entre o deslumbramento pelo que o Velho Mundo lhes oferece e a permanente sensação de que são intrusos na grande festa que é Paris. Fonte: Livraria Travessa

 

ASSISTI E GOSTEI

Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela dra. Dora Skirth (Jenny Slate) com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias. Fonte: Adoro Cinema

PARA REFLETIR

Do filme o Show de Eichmann:

“O fascismo não morreu quando Hitler estourou os seus miolos. Onde quer que existam pessoas, o fascismo pode existir”

 

OUVI E APROVEI

Canta, Caetano Veloso: …Sem lenço, sem documento/ Nada no bolso ou nas mãos/ Eu quero seguir vivendo, amor/ Eu vou/ Por que não, por que não?/ Por que não, por         que não?/ Por que não, por que não?

Foto Divulgação

 

E A GRAMÁTICA… COM AS CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Fabiani Taylor

Mestra em Letras pela UFES

Membro Correspondente das Academias Mateense, Marataizense e ALEAS de Letra

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