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PIÚMA: vereador Negão quer feiras só em janeiro e comerciantes da praia discordam dele

Contra requerimento de vereador que quer proibir feiras antes de janeiro, comerciantes defendem a Feira do Sol como principal atrativo de Piúma no verão

O vereador Negão da Colônia, Patriota de Piúma protocolizou requerimento na Câmara Municipal para alterar um artigo da Lei 912 de 9 de novembro de 2001, que dispõe sobre a realização de feiras na Cidade das Conchas. Negão quer que elas se instalem somente a partir do mês de janeiro e não em dezembro como sempre foi.

De acordo com o vereador, o requerimento apresentado por ele é para alterar o artigo 1º e propor uma emenda: Art. 1º – O parágrafo único do art. 1º da Lei nº 912, de 9 de novembro de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º (…) Parágrafo único. As feiras somente serão autorizadas a funcionar no período de 1º de janeiro até o término da Semana Santa de cada ano”.

Vereador afirma que a lei só vai regular

Negão alega que os comerciantes de Piúma se sentem prejudicados com as feiras e por isso pede alteração, para que elas se instalem somente em janeiro. Entretanto, os comerciantes da praia discordam do vereador e defendem que as feiras são atrativas para a cidade e geram oportunidades de negócios diversificados.

O requerimento deverá ir a votação nesta quarta, 25, e, apensar de não ter sido aprovado ainda, já gera polêmica na cidade. Mesmo Negão afirmando que a feira não vai deixar de vir e nem de se instalar. “Eles têm o momento de vir e de começar montar os stands e o momento de contratar. O contexto não vai mudar, a feira vai se preparar só para abrir as portas no momento certo, a parti do dia 01 de janeiro, porque o nosso comércio está sendo prejudicado. Estou pensando no pessoal que tem comércio na cidade”.

Feirado Sol completa 25 anos em Piúma

A Feira do Sol completa 25 anos em Piúma

A Feira do Sol foi procurada pela Reportagem para comentar o requerimento do vereador e se posicionou afirmando que ela tem uma história com a cidade de Piúma de 25 anos. Se tornou uma das principais atrações da vida noturna da cidade, e o funcionamento é a partir das 17h00, hora que o comercio local já está fechado.

De acordo com o empresário Hélio Moacir Lima que está à frente do empreendimento atualmente a Feira do Sol gera em média 500 empregos diretos e indiretos. São 120 stands que trazem 70% de expositores que alugam em torno de 80 apartamentos, compram no comércio da cidade e movimentam a economia.

“Nós da Feira do Sol estamos nos mobilizando e vamos fazer uma pesquisa juntamente com todos os comerciantes dos bairros próximos a Feira e na orla de Piúma e saber qual a satisfação deles, porque os comerciantes que reclamam da Feira, penso que, são bem menos que os favorecidos com o nosso empreendimento, todos os comerciantes da orla da praia: supermercados, padarias, farmácias, hotelaria, alugueis de apartamentos, restaurantes, lojas são todos favorecidos com a Feira que acaba contribuindo com a melhorar do comércio deles. Sempre quando chega a feira, no momento em que montamos as tendas o comércio local já começa a girar”, assegura Hélio.

Assegurou Hélio que já faz parte da programação oficial da Feira a Missa que abre o empreendimento, a chegada de Papai Noel, a entrega dos presentes as crianças, os brinquedos. “Os turistas já tem a tradição de vir para Piúma para participar das atrações de finais de ano, natal, nós montamos um presépio dentro da Feira para chamar turistas para tirarem fotos. A gente faz os enfeites natalinos para incorporar o espírito natalino nas pessoas, isso é uma atração que traz turistas para Piúma. Se houver o fechamento da Feira do Sol no final do ano teremos uma perda grande por parte dos turistas que não vão ter mais o presépio que é uma das atrações. Eu acho muito importante a tradição de 25 anos da Feira começar antes do natal e terminar depois do carnaval, sempre foi assim, tem que ser mantido, isso tem que ser repensado por parte dos líderes que estão no comando da cidade, porque a população gosta da Feira”, salientou Hélio.   

Como tudo começou

O fundador da Feira do Sol, Antônio José da Silva Lana, o Tonhão contou que há 25 anos começou bem pequena. “Começou com muito cuidado, era o tamanho da Piúma desta época. Piúma e Feira do Sol cresceram juntas. Há 125 anos nós viemos fazendo um trabalho onde abrange o turismo de Piúma. A Feira do Sol é importante para o município porque traz empregos, traz comodidades. O pessoal aluga apartamentos, os restaurantes, supermercados todos funcionam com mais movimento, enfim é um caminho onde todos se encontram. Feira do Sol para mim é um sucesso obtido junto com o sucesso de Piúma”, frisou Tonhão.   

Tonhão envolvido com as festividades do natal solidário

Oportunidades

Para os pequenos empreendedores a Feira do Sol é uma oportunidade grande, principalmente, para os que desejam começar a trabalhar com vendas, os que estão iniciando a sua carreira nas atividades econômicas, se tornar um empresário e desenvolver o lado empreendedor. “A Feira é um custo baixo para este comerciante, é um embrião de empreendedorismo muito grande, isso é em prol da população, em prol da cidade de Piúma, onde estas pessoas vão se desenvolver e crescer junto com a Feira. Muitos empresários fortes iniciaram suas atividades nas feiras, importante ressaltar este lado social para todos nós”, ressaltou o representante legal.

Para Hélio, que está a frente da Feira do Sol atualmente, o dinheiro circula no entorno da Feira do Sol e é importantíssimo para a economia do município. “A Feira não leva o dinheiro embora, o dinheiro como um todo circula e é muito importante para a economia do município, do estado e do país. A Feira traz dinheiro também, traz turistas, quando ela começa ser implantada, já começa girar o comércio local de hotéis, de alugueis de apartamentos, alimentação, restaurantes, começa empregar as pessoas da cidade, são mais ou menos umas 500 contratações que trabalham durante o verão na Feira do Sol e isso traz benefícios para o cidadão, para a população de Piúma”.

São 12 stands com diversos produtos que atraem turistas de todos os lugares

Em relação a alegação do vereador Negão de que a Feira atrapalha o comércio local, uma vez que traz expositores de foram, Hélio argumenta. “Qualquer outro comércio local não deixa o dinheiro só dentro do município, ele tem que ir para São Paulo, para outros municípios para fazerem as suas compras. A turma da Feira quando chega ocupa uns 80 apartamentos durante o verão que são locados, ainda tem os alugueis anuais, dinheiro que fica para os proprietários de imóveis em Piúma. A Feira traz recursos, benefícios e dinheiro para o município”, pontuou.

30 % dos expositores são de Piúma

O dono da Pastelaria reside em Piúma, ele emprega em média 16 pessoas

Convém ressaltar ainda que além dos expositores que vem para Piúma se instalar na Feira, 30% dos stands são para comerciantes de Piúma. “Eu nunca fui contra nenhum tipo de feira na cidade porque eu sei que elas trazem atrativos. De três anos pra cá eu sou participante da Feira. Fiz 19, 20 e estou indo para 2021, a Oficina da Fome está ao lado da Pastelaria Rosa Brasil. Mesmo antes de participar da Feira eu não era contra. Eu acho que não atrapalha em nada. A Feira do Sol não atrapalha o comércio o local, ela movimenta o comércio, principalmente no entorno. Eu sou a favor não só por ser participante, mas pela concentração do turismo, lembrando que ela atrai turistas de várias cidades”, salientou o proprietário da Oficina da Fome, Augusto Cesar Bento Perim.

O movimento a noite na praia em Piúma praticamente se concentra nas proximidades da Feira do Sol e na Praça Dona Carmem. “Os turistas não querem ir para o centro da cidade a noite, os comerciantes que muito reclamam são do centro, será que não é hora deles repensarem um modo de trabalho e também participar não só do centro, mas das atividades da orla? O comércio local trabalha durante o dia, a Feira é a noite, ela vai suprir a necessidade destes turistas que estão a noite sem ter o que fazer e vão circular pela orla, principalmente por causa da Feira do Sol”. Questiona Hélio.

Vem pra perto

Adelso pensou em abrir uma Farmácia perto da Feira do Sol para ganhar o cliente

O comerciante Adelso Camilo, sócio das Drogarias Guida frisou que quando viu a Feira do Sol chegar a Piúma e percebeu que a movimentação no entorno dela era maior que no centro, viu a oportunidade de ampliar seu negócio para orla da Praia e abriu duas Drogarias Guidas, uma perto da Feira e outra mais a frente.

“Os turistas vêm para Piúma, de dia vão à praia e a noite ficam batendo cabeça, não tem aonde ir, ele vai para a Feira, que tem lanchonete, brinquedos, oferece um mundo de opções de compra. Com isso, as pessoas ficam rodando no entorno, aquele monte de gente. A Feira é uma atração turística, não é só negócio, as pessoas vão passear, Piúma não tem atração nenhuma turística. A Feira não atrapalha, eu dei um jeito de montar uma farmácia perto da Feira, eu fiz o comentário na época quando a Feira chegou, quem estivesse se sentido prejudicado que viesse para perto dela e graças a Deus deu certo. Os comerciantes devem se conscientizar e irem atrás para saberem onde eles compram as roupas e praticar o mesmo preço, que as pessoas vão comprar. Eu não vejo problema nenhum”, frisou Adelso Camilo.

Alailson Garcia é sócio de Adelso, ele também afirmou que Feira não atrapalha o comércio do centro, muito pelo contrário, ela oportuniza renda as centenas de famílias. “Ela gera muitos empregos e traz expositores que gastam na cidade de diversas maneiras, principalmente com alugueis de imóveis”, disse.

O empresário Aristóteles Sader Viana investiu pesado no Cine Ritz Piúma vendo a possibilidade de atrair mais adeptos a sétima arte levando a sala para a orla da Praia.

Para Kiko, como é mais conhecido o que prejudica o comércio de Piúma é a quantidade de alvarás liberados pela Prefeitura no final de ano. “Se existem 100 alvarás na cidade, eles liberam 450, então, a Feira do Sol existe há 25anos aqui, ela permanece, agora vem um monte de gente contando uma mentira. Vamos manter o que já tem na cidade. Feira do Sol faz parte da cidade, o resto não faz, entraram agora para prejudicar a Feira do Sol, mas prejudica o comércio de Piúma”.

Comerciantes da praia esperam a Feira do Sol

A Reportagem ouviu comerciantes de seguimentos diversos na Praia para saber se são favoráveis a emenda na Lei proposta pelo vereador Negão da Colônia para que as Feiras abram somente em janeiro. Todos os entrevistados foram contra e defendem a Feira do Sol como atração turística que agrega valor econômico ao negócio deles.

O comerciante Weliton Polonini, proprietário do Supermercado Rede Smart na orla da praia foi enfático: “Sou completamente a favor da Feira do Sol e todas as feiras em Piúma, por mim deveriam ter até mais, Piúma podia ficar conhecida como a cidade das feiras”.

O comerciante criticou o vereador em querer mudar a lei para beneficiar os comerciantes do centro, uma vez que, os comerciantes da Praia ficam oito meses a espera do verão. Ele afirmou que a Feira pertence a uma empresa privada e ela aluga para quem desejar e abre quando achar que deve.  “O papel do estado e do município é fiscalizar se ela está pagando os impostos. Eu acho que deveria ter descontos no alvará para expositores de Piúma, fora isso não cabe a Câmara, nem a prefeitura julgar um espaço privado que está dentro da lei, ela aluga para quem quiser. O pessoal do centro fica oito meses vendendo, quando nós da Praia ficamos dois meses eles crescem o olho, ficamos oito meses comendo farinha com fubá aqui na frente, e quando o verão chega ficam de olho no nosso negócio. Pelo amor de Deus, quanto mais feira, melhor, mais gente girando”.

Rizza Crôppo do setor imobiliário defende a feira em dezembro. “Eu liguei para o Tonhão para saber se ia ter Feira do Sol este ano, ele disse que sim. O pessoal vem mesmo para Piúma porque além da praia, a atração são as feiras que não tem nos outros municípios. Eu sou a favor que abra em dezembro como sempre foi, a Feira acaba trazendo mais turistas a cidade”.

A proprietária do charmoso Restaurante Ancoradouro, Rosangela Boldrini foi enfática: “A Feira do Sol é uma atração turística e gera vários empregos em Piúma”.

Valério Marconi é proprietário da Drogaria Marconi, ele disse que, se a Feira do Sol não vier logo, o comércio no entorno sofre. “A Feira é comércio, e comércio chama as pessoas. Quando traz gente para a cidade, automaticamente as pessoas ficam em torno dos comércios. Geralmente elas passam na farmácia, na padaria, numa loja de biquini, fora os empregos que geram para muitas pessoas”.

Pousada

O empresário Cleison Polonini da Pousada que traz o sobrenome dele, defende o direito de todos trabalharem e assegura que nenhuma lei pode impedir o cidadão de Piúma de obter sua renda na feira. “As Feiras são importantes na geração de empregos diretos e indiretos. Importante para cidade recolher os tributos. Quantos alvarás emitidos? Quantas notas fiscais emitidas?

Além de os expositores terem que locar imóvel, pagar energia, precisam comprar nas farmácias, nos supermercados, nas padarias, nos postos de gasolina. Quantos empregos gerados? Quantos ISS foram gerados? Quantos ICMS circulou? Sobre o comércio do centro é necessário diminuir o egoísmo improdutivo. Todos têm o direito em expor na feira”!

Cleison defende incentivos para o piumenses como descontos para locações de lojas e desconto nos alvarás. “No final de cada temporada de verão, quantos turistas visitaram a cidade? Quantos foram nos quiosques e depois visitaram o entretenimento feira? Vai cancelar o entretenimento? É um retrocesso muito grande”.   

Não se trata de cancelar, o requerimento do vereador quer adiar para janeiro para impedir as feiras de explorarem o comércio na época que ele acredita ser essencial para vendas. Ocorre que a Feira do Sol sentindo que a programação dela pode ser interferida com esta mudança no artigo, está realizando uma pesquisa junto aos moradores da cidade e comerciantes para saber se ela atrapalha ou acrescenta na vida econômica de Piúma.

Salão, lan, loja de eletrodoméstico e hotel

Janete Pedra é cabeleireira na orla da Praia. Ela defende que a Feira abra logo para os turistas começarem a frequentar Piúma. “Sou a favor que a Feira abra em dezembro. O comércio de Piúma pode sim competir com os preços das feiras, eles buscam no mesmo lugar. Eles superfaturamento o preço. Segundo: o atendimento das atendentes é péssimo, atendem com cara de xx…como se fosse um favor ela estar vendendo uma peça pra gente’, criticou.

Valcleia Scheidegger Benevides administra um hotel ao lado da Feira, ela afirma que no ato da reserva umas das perguntas dos turistas: “as feiras estão funcionando”?

A empresária Letícia Oliveira tem duas lojas de artigos para o lar e uma de eletroeletrônicos no centro. A Feira para ela não atrapalha os eu negócio. “Sou a favor de que ela continue da forma como sempre foi, afinal é uma tradição piumense. É uma atração a mais para os turistas, visto que, ultimamente, a cidade tem pouco a oferecer em questão de entretenimento. Então sou a favor de que ela abra em dezembro”!

Celso Henrique Assumpção é proprietário de uma lan house no barro Jardim Maily. Ele também é contra o requerimento do vereador Negão. “Sou a favor que a Feira do Sol abra antes do natal. Justamente essa semana dos feriados hoje é o melhor movimento, se equiparando com a primeira quinzena de janeiro e superando a segunda. Sendo assim se não haver feira nesse período, corre o risco de ela ficar bem menos atrativa para os lojistas que trabalham. Enfim, temos que aumentar os atrativos adicionando mais atrações e não ao contrário”, sugeriu.

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2 Comentários

  • Adriano disse:

    Triste ver uma tentativa de politizar o comercio,certamente este nobre vereador não entende de comercio,quando cersease um comerciante enfraquesse a todos,Piúma não está tratando bem seu atrativo turístico principal q é a orla agora tentam acabar com um dos grandes atrativos d iniciativa privada,triste.

  • Adriano Sartório Cavalini disse:

    Reportagem relevante, porém bastante tendenciosa pois foram ouvidos apenas empresários que têm lojas na região da orla e nenhum comerciante do centro da cidade, não foi ouvido ninguém da associação comercial por exemplo. A reportagem aponta claramente para a opinião do jornal direcionando o leitor.
    Falta isenção sobre o assunto que realmente divide opiniões

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