O futuro e a história da pandemia

A Covid-19 provocou mudanças brutais nas nossas vidas, na sociedade, no trabalho, nas relações sociais e políticas. Essa doença mortal nos tirou a liberdade sobre nossas próprias escolhas. Governantes no mundo inteiro também perderam a autonomia e ficaram reféns do vírus na hora de tomar decisões em prol do coletivo. Vários escritores já se debruçam sobre a análise destes tempos atuais tão esquisitos e desafiadores. Muitos livros estão sendo lançados com a temática do confinamento – seja literatura científica, abordando aspectos da saúde ou do comportamento; seja literatura popular. Eu mesma estou com um livro infantil na gráfica que retrata esse momento.

E a literatura no futuro? Como será essa abordagem sobre a pandemia? Estamos no olho do furacão e o que abordamos hoje é a nossa vivência do fato. Quando tudo isso passar, a vivência se transformará em história. É instigante imaginar como iremos retratar esse ambiente de caos, mortes, dor e luto coletivo. Ao mesmo tempo, consigo vislumbrar uma luz no futuro. Daqui a alguns anos, certos efeitos positivos poderão ser notados.

Vejamos: nunca tivemos tanta rapidez no enfrentamento científico de uma pandemia. As vacinas, que historicamente sempre demoraram anos para serem desenvolvidas, foram criadas em menos de um ano. Esse certamente será um aspecto bastante explorado em teses, textos acadêmicos e livros científicos.

No Brasil, imagino que também entrará para a história a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com falhas, superlotação de leitos e precariedade na estrutura do atendimento, não podemos deixar de considerar como é importante a existência de nosso sistema de saúde diante das epidemias, especialmente para a população carente.

Outro aspecto que vejo como revolucionário é o uso em massa das ferramentas digitais no trabalho remoto, no estudo híbrido e até nas relações familiares e afetivas. Fomos “forçados” a nos adaptar a um mundo muito mais tecnológico. No futuro, teremos de fazer um balanço dos benefícios e malefícios desta nova realidade para tentar corrigir os excessos.

Certamente também serão objeto de estudo sociológico nossas mudanças culturais nas relações de comportamento e de interação na vida cotidiana, como uso de máscaras e o cumprimento sem beijos e abraços, ainda mais penosos para povos calorosos como o brasileiro e o italiano .  

Pensar nos aspectos positivos do futuro, de certa forma, nos ajuda a suportar as dores do presente. E se olharmos para trás, também podemos tirar algum aprendizado: a pandemia da gripe espanhola, apesar de devastadora, foi superada e estamos hoje aqui para contar essa história.

Por Isa Colli, jornalista e escritora @isacolli_oficial – isacolli@isacolli.com

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