NOVA ESPERANÇA

Na minha cidade, quando saio para trabalhar, o amanhecer tem uma brisa especial que se mistura às pessoas que caminham pela praia afora ou nas que, apressadas, como eu, vão para mais um dia de trabalho. Mas, mesmo na velocidade do dia a dia, ainda dá tempo para observar os raios de sol refletidos na singela água da praia e ver o marolar das ondas provocando um barulhinho gostoso, gasturinha manhosa que nos dá ânimo para iniciar o dia.

Na minha cidade há um monte, o “lugar de ver Deus”. Ele é o nosso cartão-postal, cenário para tantas catadoras de búzios e conchas que ficam ao longo da praia, agachadas, cutucando a areia, cheia de vivências e histórias de tantas gerações que já tiraram o sustento da natureza, transformando um elemento, às vezes, tão pequeno, em lindos colares e enfeites que viajam o mundo, no mais perfeito artesanato.

Na minha cidade também tem o pescador que joga sua rede em águas promissoras e traz de volta as delícias do mar que encantam os olhos e o paladar de muita gente. Turista ou não, todos podem saborear os mais perfeitos pratos de peixes, ostras, sururus e tantos outros que só de falar, já sinto os mais variados cheirinhos do mar. Mas é preciso lembrar do pescador, homem trabalhador, que arde no sol de janeiro ou treme de frio nas tempestades que ocorrem nos dias de inverno. É ele que, faça chuva ou faça sol, traz-nos os tesouros do mar, mas que, para o pescador, é o trabalho para a família sustentar.

Na minha cidade tem escolas e nelas muitas crianças. Criança de todo tipo, mas que se manifestam de forma singular, com os olhinhos brilhando, na vontade de aprender mais uma novidade. É sempre assim quando vou conversar com elas. Até suspiram com o livro na mão. É um sonho que se realizou: livro e escritor criando outras histórias em mentes de gente tão pequena, mas com uma imaginação que vai além das paredes da escola.

Na minha cidade, então, tem uma escola chamada Nova Esperança. Lá, os olhinhos direcionados para mim atravessaram os muros, romperam barreiras e adentraram minhas singelas poesias concretas para poder voar com as palavras, tapete mágico que atravessa o mundo da imaginação.

Ainda bem que na minha cidade há uma Nova Esperança, com professores mágicos e alunos encantados que construíram, para mim, um reino tão, tão caloroso que as palavras viraram coloridas borboletas.

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