Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim: excelência no cuidar!

Nessas andanças ao longo da profissão de jornalista, a gente observa que a população geme de dor e clama por saúde. Há deficiência em consultas especializadas no Estado do Espírito Santo e parece que o problema é crônico no país. Faltam leitos e vagas de Unidade de Terapia Intensiva em vários hospitais capixabas.

Em 1999 escrevi meu primeiro texto para o Jornal, na época Folha do ES, cujo título, “Vidas X Máquinas”.

Naquela Carta do Leitor eu fazia uma crítica contundente ao HECI – Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim que dispunha de um gerador de energia em uma das suas UTI’, mas o mesmo não funcionou na noite de 12 de março de 1999. Estabeleci um paralelo com a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, um imposto cobrado por todas as movimentações financeiras feitas por pessoas jurídicas e físicas entre 1996 e 2007. O referido imposto era destinado a saúde, e por razões inexplicáveis naquele ano, o gerador de energia do Hospital não funcionou e o resultado foi catastrófico – três pessoas faleceram na UTI, uma delas, Claudiceia Máximo Sedano de Oliveira, minha irmã.

Quase 20 anos depois, não obtivemos notícias de mais mortes relacionadas a gerador de energia, a crítica chegou ao Senado Federal, na época.

Passados quase duas décadas o que temos hoje é outra realidade. O Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim é uma referência no tratamento do câncer e do coração. Lá está o Instituto do Coração idealizado por Ferraço. Excelência. Se alguém não resiste e morre, era hora, porque até o último segundo os profissionais se entregam a tentar salvar as vidas.

Nestes últimos 30 dias tenho frequentado assiduamente o Hospital, acompanhando o tratamento que meu irmão Ioseas Máximo Sedano vem recebendo diariamente. Ele que chegou inchado e com poucas chances de vida vem recebendo tratamento VIP pelos profissionais que lá atuam. E, diga-se de passagem, cheguei até questionar por que um técnico de enfermagem recebe tão pouco por um trabalho tão especial, fundamental e essencial a vida.

No último domingo faleceu na UTI uma adolescente especial, que certamente foi para os braços do pai, a menina adorada por toda equipe que chorou pela triste despedida juvenil depois de três meses de internação. Houve choros na UTI e silêncio, cancelamento das visitas.

Às vezes a gente faz críticas, reclama, xinga, ofende um profissional da saúde, mas poucos são capazes de se colocar no lugar deles. Mas, voltando ao tema, excelência no atendimento.

Quando chegou ao hospital meu irmão tinha poucas chances de sobreviver, estava com três veias completamente dilatadas e já não funcionavam. O pulmão estava retendo líquido: sangue e água. Ele estava irreconhecível. Nós esperávamos por uma notícia ruim, mas o tratamento, os remédios, a atenção, a alimentação, os cuidados psicológicos, o sucesso da cirurgia o fizeram amenizar a saudade do bebê José Gabriel e da esposa Elisabeth. Eles devolveram a vida ao Xuxula, apelido de adolescência.

É impressionante a dedicação de todos. É impressionante como cuidam do outro com respeito, dedicação e amor.

No início da noite desta quarta-feira, na troca de plantões, o movimento intenso de profissionais vestidos de branco. Uns cansados, no limite, outros ainda iriam encarar mais um plantão. O elevador para cima e para baixo, bolsas, correria, acompanhantes chegando e saindo, e nos leitos os pacientes acolhidos por pessoas que entregam suas vidas a eles.

Faltou você dizer, como me lembrou a prima Sônia Maximo, a grande família que se ganha e se forma lá dentro. Os acompanhantes e os pacientes se unem um pelo o outro com amor, sem nunca ao menos ter se esbarrado nesse vai e vai dá vida. Ah, o que seria das famílias que não tem parentes por perto na Capital Secreta do Mundo se fossem as Casas de Apoio que acolhem os familiares de fora, de outros Municípios com todo carinho e amor. “Eu tive o prazer de conhecer D Marlene, uma grande mulher, exemplo de pessoa”, relembra a prima Sônia.

Por demais belo o trabalho que faz o Hospital Evangélico e aqui neste texto, não cabem mais palavras que não sejam de agradecimento. Eu peço perdão pela falta de paciência do meu irmão, pelo estresse e pela saudade que ele traz de casa. Mas eu parabenizo a Cícera e todos os outros técnicos de enfermagem que a qualquer hora estão a postos para atender e medicar todos. A forma carinhosa emociona.

Ao pessoal da limpeza que se preocupa com os detalhes. Aos médicos, que acalmam, ouvem cada batida daquelas centenas de corações sofridos e doentes. A cada enfermeiro, cada um que ali se entrega para salvar e cuidar das pessoas que amamos. Muito obrigada!

Eu só gostaria de pedir a quem quer de direito, olhem mais pelos profissionais da saúde, valorizem mais os técnicos, os médicos, os enfermeiros, todos que arriscam a sua vida pelo desejo de cuidar do próximo. O que ganham é pouco demais, pelo que fazem. Parabéns!

 

 

 

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