Bolsistas da Sesport mantêm rotina de treinos mesmo durante isolamento social

A propagação da Covid-19, doença causada pelo novo Coronavírus, mudou drasticamente a rotina das pessoas em todo o mundo, incluindo a de atletas de alto rendimento, que observam – de dentro de suas casas – o adiamento e cancelamento de competições programadas no calendário esportivo.

Com academias e outros locais de treinamentos fechados em razão de pedidos dos órgãos mundiais de saúde para a manutenção do isolamento social, eles têm se virado como podem para manter a rotina de treinos a que estão habituados.

Usando cordas, elásticos, halteres e alguns outros objetos que têm à disposição em casa, esportistas contemplados pelo programa Bolsa Atleta, da Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport), vêm mantendo a rotina de treinos dentro de casa.

“Eu tenho tentado não desanimar nesse período de quarentena e sem competição, pois sei que quando isso acabar tenho que estar no meu melhor nível possível. Estou mantendo os treinos diários com, pelo menos, uma hora de karatê, 45 minutos de treino físico e 30 minutos de pilates, sempre usando alguns elásticos e pesos que tenho em casa”, conta a carateca Tamillis Campi.

Acostumada a treinar na piscina do clube Álvares Cabral, que tem 50 metros de cumprimento, Laís Gasparini também mantém a rotina adaptada de treinos usando a piscina de casa, que tem 5,5 metros. Com a ajuda dos pais e irmãos, ela realiza treinos de flexibilidade e força muscular usando elásticos presos a parede.

“Com a orientação do meu técnico, tenho conseguido fazer treinos na piscina, embora pequena, além de corridas na esteira que temos em casa. Aliás, o período tem forçado o aprendizado quanto à manutenção de foco em situações desfavoráveis, já que o mais importante mesmo é superar o adversário comum a todos, que é o Covid-19”, revela.

Internet

Independentemente da modalidade, há um aspecto comum a todos os atletas que mantêm a rotina de treinos em casa: a internet. Usando aplicativos de conversa ou de videoconferência, todos os esportistas mantêm contato direto com os técnicos, que auxiliam em novos exercícios ou corrigem o que vem sendo feito de forma equivocada.

Medalhista de ouro nos Jogos Escolares da Juventude (JEJ), disputados em Blumenau, Santa Catarina, em novembro do ano passado, a ginasta Geovanna Santos é uma das atletas que segue em contato direto com a treinadora durante os treinos.

“O período do treinamento não mudou, mesmo estando em casa. Usamos um aplicativo de videoconferência e realizamos os treinos de 14h às 18h. Consigo fazer aquecimento, exercícios de dificuldade com os aparelhos, enfim, tudo que a gente conseguia fazer no treino estamos fazendo aqui, só com redução de altura e espaço”, frisa a atleta.

Mesmo ciente da importância da manutenção dos treinos em casa durante este período de isolamento social, o professor de educação física e servidor da Sesport, Milan Rezende de Paula, pondera sobre as perdas individuais dos atletas após esse período.

“É importante que os atletas continuem treinando, mesmo com toda a situação adversa, para que eles mantenham o condicionamento físico básico, como nível de força, resistência aeróbica e flexibilidade. No entanto, cada atleta vai ter uma resposta fisiológica e neuromuscular diferente quando voltar aos treinamentos e competições”, afirma Milan, que alerta os atletas quanto a alimentação durante o isolamento.

“Com esse confinamento, vai haver uma redução nos gastos de energia, então os atletas precisam ficar atentos também a ingestão calórica, para que não terminem a quarentena com sobrepeso e não haja uma mudança drástica da composição corporal, como diminuição da massa magra e aumento de gordura”, comenta.

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