Pausas para a Literatura • Pronome pessoal do caso reto

Publicado em às 16:49.
Por Simone Lacerda

A liberdade que traz à tona sua espécie

O gosto dos dias sem clausura e amarras

O fino (sem) trato

O sinal emblemático mais forte que os demais

O sangue que corre em suas veias e seus cenários

Os alicerces que a enobrecem e evocam

A voz emudecida por tantos séculos

E o discurso que eleva seus contornos.

A tolerância que a convida

O mal enfrentado que abomina

O calor da paixão que avassala

A terra que produz a luta

O tempo quarado em seus quintais e esperanças

As certezas ditadas e não cridas

O não ouvido e inventado

Os quadris que cantam nas danças e nas ruas

A mente que traça sua nova perspectiva

O olhar que silencia e grita

O sorriso ensolarado que teima amanhecer

A lua que cruza seus espectros

E as estrelas bordadas no peito

A jornada que ampara e denuncia

O preço bem pago e maldito

Os desapegos que alinham os cenários

A ausência envelhecida perpetuada no espaço

Os preceitos e normas que anestesiam

o que brota de dentro.

E a teimosia reinante no riso frouxo

e nas alegrias escapadas dos jardins, das masmorras e dos templos.

Desamparos, procissões e balbúrdias

Cortes, agonias e nesgas

Pontes, agulhas e caos.

É ela que somos,

nela, compomos,

dela, parimos,

por ela, reinventamos a forma de paraíso.

E empoderamos o universo.

A mulher nascida, criada, reprimida, calada.

A mulher desinibida, audaciosa, inadequada.

A mulher do útero, coração, poesia e alma.

Artigo e gênero feminino,

adjetivo expressivo,

verbo preciso.

Ela: pronome reinventado.

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