METONÍMIAS

Publicado em às 14:00.
Por Fabiani Taylor

 

Deu Crônica

 

Para os alunos da Escola Municipal Manoel dos Santos Pedroza

 

Visitar uma escola para poder falar de Literatura é um fato importante e interessantíssimo. Importante porque muitos alunos só têm o contato com o escritor através dos livros. Parece algo distante, inacessível, pois alguns autores que já leram, provavelmente, estão mortos. Outros podem estar bem distantes geograficamente que, muitas vezes, é até impossível conhecê-los e direcionar perguntas aos mesmos para, assim, sanar as curiosidades que qualquer leitor tem. Interessantíssimo porque observamos algumas partes sensitivas do ser humano e percebemos que ainda há esperança de um mundo melhor.

Ah, os olhos! Como é bom trocar olhares. Quantos olhares! Todos direcionados para a escritora, apreensivos, ansiosos, curiosos… pois era preciso perguntar e esperar a resposta. Quão desejado foi esse momento! Havia muito para observar e tudo aquilo que a menina dos olhos captava, já ia se estacionando na memória, formando uma imagem para o futuro, para ser reativada, assim que necessário, quando o nome da escritora se tornasse vivo novamente entre aqueles que nem piscaram durante aquele momento eternizado pelos olhares.

Ah, os ouvidos! Foi preciso muito silêncio para ouvir perguntas tão inteligentes, carregadas de muita emoção. Afinal de contas, a boa leitura anda esquecida em nosso país. É verdade que tudo pode ser lido hoje, mas a qualidade que não é a mesma, direcionando nossos jovens para um péssimo vocabulário, para leituras de fundo de quintal que não trazem a grandiosidade de imaginar, fantasiar, navegar por caminhos nunca antes navegados e o mais importante: formar cidadãos que, ao saírem da escola, ainda terão um livro na cabeceira para cada vez mais ampliarem seus conhecimentos e tornarem-se leitores cada vez mais competentes. Assim, é preciso ouvir com ouvidos bem abertos e atentos para, principalmente, guiá-los para o que é bom e, dessa forma, levar para nossas vidas e direcionar nossos futuros caminhos para aquilo que realmente nos será importante.

Ah, o paladar! Quantas perguntas interessantes foram proferidas por bocas que apenas se iniciam para o mundo! Não foram perguntas nem muito doces, nem muito salgadas, mas no ponto certo para que esse momento de conversa fosse eterno. Mesmo para aquelas bocas que ficaram quietinhas, no canto, só observando, tenho certeza de que para elas nada passou despercebido, todos os sentidos foram ativados e puderam tirar suas próprias conclusões, também, depois, no bate-papo descontraído com os outros colegas e assim criar novas palavras ou levá-las para outros que não estavam presentes, mas que através desse saboroso paladar, as conversas se tornariam outras, alimentando sonhos que antes, talvez, fossem impossíveis até de serem sonhados.

Ah, todos esses olhos, ouvidos e bocas que, dentro da Literatura, formam, numa linguagem expressiva, uma metonímia. Porém, não é só da parte que precisamos para alcançar nossa tão desejada ascensão da leitura entre aqueles que visamos o todo: nossos alunos. Mas, para isso, é necessário mais uma parte – as mãos. Essas mesmas que seguraram um livro e passarão para mais uma e mais uma… E assim, acredito que uma andorinha sozinha não faz verão, mas um monte de andorinha pode tornar todas as estações mais suportáveis para qualquer ser humano, pois é necessário ter esperança de que a leitura ainda modificará o rumo do nosso país.

Bem, a sementinha já foi plantada…

 

 

Foto/ Literatuando / Divulgação

 

E A LÍNGUA PORTUGUESA…

GARIMPANDO NOVOS TALENTOS

Homens pretos

Homens brancos

todos eles

podem ser francos

 

Ladrão, honesto

Pretos ou brancos

Pra quê essa diferença?

Num país de trancos e barrancos

 

 

Onde está a igualdade?

No Brasil de vantagens,

Ou o homem

Só se vive de imagem?

 

Barulhos de correntes

No navio negreiro

Lembrando de suas famílias

O tempo inteiro

 

Sua cor de pele

comparada ao mal

que mundo é esse?

Não é nada normal

 

Preto ou Branco

Não tem importância

Porque já deveria ter acabado

Essa tal de intolerância!

 

Maellen Julião Soares

 

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